Caos, segundo Hesíodo, poeta da Grécia Antiga, foi o deus primordial da mitologia grega a surgir no universo. Tinha um temperamento muito confuso, de difícil entendimento, pois constantemente mudava de opinião, incorporando essa idéia de cambulha e desordem a todos seus atos. Também do grego, caos significa corte, rachadura, vasto abismo.
Daí então a famosa Teoria do Caos, que segue a premissa de que um pequeno acontecimento, inicialmente sem nenhum significado vasto, poderia futuramente gerar consequências estrondosas. Claro que essa teoria tem muito mais um caráter físico do que social, mas passamos a ver o segundo ponto de vista.
A vida em geral tende ao caos: o trânsito, o tempo, o mercado de ações, o governo, a sociedade, a família... todos esses acontecimentos e formas de organização humana são aleatórios e imprevisíveis, sendo impossível que um estudo mais profundo forme uma teoria universal e precisa. Por exemplo, imagine que, no passado, você estivesse em dúvida entre duas faculdades e acabou optando pela mais fácil de entrar. O seu dia-a-dia, então, será muito diferente comparado ao que seria caso tivesse optado pela outra: seus amigos serão outros, seu caminho para a universidade será diferente, seu emprego, seu cônjuge, seus filhos e seus netos poderão ser outros... enfim, um futuro completamente distinto. Aquela pessoa que você esbarrou na rua certa vez talvez, se tivesse escolhido a primeira faculdade, poderia vir a ser seu marido ou esposa. Aquele assalto que ocorreu quando você decidiu pegar o metrô ao invés do ônibus não iria acontecer... por fim, o decorrer de sua vida mudou completamente por conta dessa escolha! Parece assustador, mas é só parar e observar os fenômenos mais triviais da vida para notar que essa idéia faz todo o sentido. É tudo muito imprevisível, e você nunca saberá o que poderia ter acontecido caso optasse pelo outro caminho.
Esse mesmo fenômeno ocorre também na natureza, e até mesmo em nossas atitudes. A arrumação do seu quarto tende a ser caótica, sendo que o único impedimento para que isso não ocorra é uma força não-natural, no caso, sua mãe mandando você arrumá-lo todos os dias. Estar vivo é uma luta eterna contra o caos, é algo que necessita de muita energia. Tudo que tende ao caótico não requer quase energia a ser gasta. Para deixar seu quarto desarrumado, não há necessidade desse gasto energético.
Apesar de tudo isso, não quer dizer que não exista ordem no universo. Nada é mais sincero do que a expressão de uma criança ao ver uma borboleta pela primeira vez. E o motivo? Essa nova experiência e harmonia que propicia. Ao deparar-se com a natureza, nada lhe parece ter mais ordem; tudo parece seguir seu curso de forma até que previsível. Mas antes de tudo, a própria vida surgiu dessa desordem, e aí que está: nós seres vivos tiramos a ordem do caos para nos mantermos vivos, ou seja, ordenados, e com isso provocamos mais caos.
O grande problema é que o homem acha que possui controle sobre essa tal desordem, sendo que na verdade não temos a menor influência sobre isso. O caos é o estado natural do ser humano e inerente à vida, ao contrário do gradiente da ordem. Ainda assim, ambos andam juntos, são forças opostas que se completam.
Qualquer detalhe pode causar imensas consequências num espaço de tempo, e isso pode ser facilmente aplicado na vida de maneira geral. Vejamos a vida então como o clichê da grande bicicleta: para nos manter em equilíbrio, devemos pedalar na tentativa de nos organizar no meio do caos, caso o contrário cairemos.
Aaah, e como essa queda vai doer.
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