sexta-feira

Ó dilema...!

Como você sabe que aquilo que chama de amarelo é o mesmo que todos chamam de amarelo? Que as sensações físicas que sente são iguais as das outras pessoas? Desde que idade descobriu que aquela queimação no estômago é mesmo a azia que tanto se fala nas propagandas? A questão é: como saber se você está dentro do padrão universal, ou seja, como saber se é considerado normal?

Quer dizer, é possível que alguém veja o azul no tom vermelho, mas conheça o tom vermelho pelo nome azul, já que foi condicionado desde pequeno a chamar isso de azul.
Pegue, por exemplo, a história de John Nash, gênio da matemática e criador da famosa Teoria dos Jogos. Ele passou boa parte de sua vida acreditando numa realidade totalmente diferente da realidade das pessoas ao seu redor, enxergando situações e indivíduos que nunca existiram. O que era normal para Nash só passou a ser percebido como uma doença depois de muitos anos, quando os sintomas de sua esquizofrenia se tornaram evidentes para os outros. Para elas, a realidade de Nash era algo totalmente kafkiano: teorias da conspiração, alucinações, paranoias e visões distorcidas da realidade. O mais curioso é que esses pensamentos foram induzidas por seu próprio cérebro... ou não. E se a realidade de Nash for a "certa"? E se apenas essas poucas pessoas, consideradas delirantes, são as privilegiadas que enxergam a verdadeira realidade - e nós, os supostos "normais", temos uma visão distorcida do mundo? Muitas das pessoas consideradas  insanas são aquelas mais inteligentes e brilhantes, as que tiram as melhores notas... e essas mesmas foram as mais martirizadas na sua época, sepultadas por uma sociedade que acredita[va] que o certo é fechar os olhos e seguir pensando como todo resto o rebanho.

É estranho pensar que cada cérebro tem seus limites e entraves, que cada pessoa vê o mundo de uma forma única e exclusiva. O meu verde nunca será o mesmo verde do meu vizinho. E por isso tentamos expressar por A+B que o meu verde é mais real que o do próximo, que é mais verdadeiro. Por isso tentamos convencer o outro de nossos pensamentos e tentamos induzí-los a acreditar naquilo o que vejo, não naquilo que ele vê. Precisamos mostrar às pessoas nossos pontos de vistas, trocar experiências.
E é isso que nos diferencia de um macaco: rimos e choramos, porque somos o único animal que se impressiona com a diferença que há entre o que é e o que deveria ser.

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