É estranho como uma palavra, uma frase, podem mudar o jeito que vemos o mundo. Afeta nossos pensamentos, nossas idéias. Como aquelas vezes, quando você conhece uma pessoa a meses, contudo a amizade não o modifica em nada. Todos aqueles livros, tudo que ouvimos se evapora com o tempo e desaparece. E, logo assim, de súbito, depara-se com alguém que parece ter-lhe desvendado o mistério da vida. Por conta de palavras, simples palavras! E como são nítidas e vívidas... às vezes, são coisas tão óbvias que nos deixa intrigados de como não pensamos naquilo antes. Somente uma pequena lição que nos dá aquele click e que acabamos levando conosco por toda a vida. É perturbador! É uma sensação tanto de desconforto como de alívio. Como se tudo ficasse mais claro - aquelas dúvidas que pareciam não ter resposta agora foram respondidas, assim, do nada.
A música é algo que também me perturba desse mesmo modo. Aquela música que me faz sentir uma euforia interna, inexplicável; que me faz pensar na vida; aquela que muitas vezes havia me emocionado.
A contradição nisso tudo é que, se nos emocionamos com algo ou nos identificamos com essas estranhas palavras, quer dizer que o tempo todo estavam dentro de nós; influências inteiramente novas, que vieram de fora, e que, porém, apenas vibraram uma corda que esteve o tempo todo dentro de cada um. Isso é o auto-conhecimento. É a sensação de que influências externas estão abrindo um novo mundo, um novo caos interno. Ao mesmo tempo que tudo parece ser mais nítido, novas perguntas surgem, novas dúvidas desconfortantes aparecem.
Somos eternos escravos desse ciclo vicioso, esse fractal inacabável. E sim, nunca teremos todas as respostas para nossas dúvidas... por mais palavras estranhas que entrarem por nosso ouvidos.
O bater dessas asas, provocará eternamente um furacão em nossos pensamentos.
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