Alí, sua mulher, sua Pandora, sua ruína.
segunda-feira
Sonho 05/09/11
O sonho é interrompido abruptamente por uma erupção ácida subindo pelo esôfago e irrompendo nos lábios. Vira-se a tempo de não sujar os lençóis. Olha para a esquerda e encontra seu sobrinho, ainda dormindo, na cama ao lado. Sente o chão gelado de mármore com seus dedos finos e tateia cegamente as paredes em direção ao banheiro, ainda desacostumado aos primeiros raios da manhã. Vira o resto de Scotch que o esperava à beira da pia enquanto fita o rosto puído e oriental no espelho. Cambaleando até a varanda, acende um cigarro e encara a janela ao lado. Dois escarpins de rosto desconhecido envolvendo o corpo flácido de seu vizinho. Vira os olhos para o horizonte nascente e dá uma longa e profunda tragada enquanto inicia os primeiros raciocínios da manhã. "- Escarpins vermelhos...". Torna a cabeça para a janela e, para seu espanto, nada de escarpins - apenas seu colega peludo e nojento ao som do tictac frenético de sapatos fugitivos correndo pelo assoalho inimigo. Arremessa o cigarro e corre para o hall do andar, acompanhando os passos apressados da mulher invisível. Escancara violentamente a porta com e encontra os escarpins, as longas pernas abauladas e coxas envoltas por um vestido, também cor de sangue, amassado, culpado. Aqueles malditos cabelos negros, desgrenhados como sua fúria e olhos que procuravam lhe arrostar, em vão.
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