domingo
sábado
Caráter
Um traço de personalidade discreto que atua diretamente em nós mesmos e sem intermediários. O caráter é de uma grandeza inimaginável e irredutível. É uma das maiores virtudes que um homem pode possuir, pois dentro dessa característica, somam-se várias outras: a honestidade, a bondade, o reconhecimento, o amor próprio e pelas coisas ao seu redor. É uma daquelas características que são internas e particulares; já que faz bem para quem a pratica, não há necessidade de exprimir. Caso o contrário esta soará falsa, e já não poderá ser chamada de caráter.
Observemos nossas eleições políticas, onde este elemento, se é que aparece, só ocorre na sua forma menos delicada. O povo sente a necessidade de seus representantes possuírem algo mais do que talento, precisam de uma pessoa que lhes transmita segurança e que possa cumprir as palavras proferidas antes da eleição, tornando-as práticas. Nada adianta que o homem seja culto, perspicaz, carismático e eloquente, se este não for capaz de indagar o motivo da miséria daquele país e indignar-se com tal corrupção. Que a partir disso tenha o afã de mudar e remoldar seu ambiente, nem que para isso tenha que enfrentar a maioria corrupta. Eles próprios, ao chegarem no poder, não devem se considerar apenas mais um cidadão num cargo superior, e sim o próprio país que representam, devem passar a ser um apêndice da nação. Suas emoções devem ser expressas e realizadas, cada tapa na cara de seu Estado o deve atingir em cheio como se fosse em seu próprio rosto; o país deve ser um espelho de sua fisionomia. Além de transmitir convicção, o homem honesto passa uma serenidade, inspira respeito e desperta nos outros o mesmo espírito revolucionário e de protesto, passando essa característica como a queda de um dominó numa sequência enfileirada. Torna-se quase que um espetáculo.
O triste é esperar eternamente para que esse fato ocorra, mesmo sabendo que ele pode nunca vir a acontecer. É a fé na causa humana, a esperança de que um dia alguém mais convicto possa chegar e dizer-nos o que fazer de modo a mudar essa sociedade para melhor. O homem precisa de alguém mais experiente para lhe dizer o que fazer. É bizarro, mas é a pura verdade. Por mais que neguemos, é reconfortante a sensação de ter alguém nos guiando por um caminho que já percorreu - nos transmite segurança. Isso pode ser observado em grandes guerras e conflitos: Hitler alienando sua sociedade, Napoleão recrutando milhares de admiradores sem a utilização de força bruta, Antônio Conselheiro pregando seus pensamentos e formando uma legião de seguidores.
De nada adianta esperar esse Messias de forma cansada, preguiçosa e robotizada... parece que todos abaixo da política estão algemados por uma corrente de ferro invisível e não oferecem nenhuma resistência contra ela! De vez em quando uma revolta efêmera afeta seus vizinhos de cárcere, mas logo são sufocados pelos policiais da prisão. Fomos todos entorpecidos e domesticados pelos "grandes". Quando não, apenas lutamos para ter uma vida confortável como a deles mesmos, fechando as janelas para o caos constante fora de casa.
Não digo que todos são assim, nem que eu mesma não seja assim. Mas é o que se passa. Tudo no homem reflete a própria alma. Nosso corpo está cansado, nossos pulmões poluídos, nossos olhos só querem o repouso, nossa mente está a mil, e nossa alma, exausta. Caráter significa fazer o correto quando ninguém está olhando: nos resta fazer o que achamos ser o certo.
Observemos nossas eleições políticas, onde este elemento, se é que aparece, só ocorre na sua forma menos delicada. O povo sente a necessidade de seus representantes possuírem algo mais do que talento, precisam de uma pessoa que lhes transmita segurança e que possa cumprir as palavras proferidas antes da eleição, tornando-as práticas. Nada adianta que o homem seja culto, perspicaz, carismático e eloquente, se este não for capaz de indagar o motivo da miséria daquele país e indignar-se com tal corrupção. Que a partir disso tenha o afã de mudar e remoldar seu ambiente, nem que para isso tenha que enfrentar a maioria corrupta. Eles próprios, ao chegarem no poder, não devem se considerar apenas mais um cidadão num cargo superior, e sim o próprio país que representam, devem passar a ser um apêndice da nação. Suas emoções devem ser expressas e realizadas, cada tapa na cara de seu Estado o deve atingir em cheio como se fosse em seu próprio rosto; o país deve ser um espelho de sua fisionomia. Além de transmitir convicção, o homem honesto passa uma serenidade, inspira respeito e desperta nos outros o mesmo espírito revolucionário e de protesto, passando essa característica como a queda de um dominó numa sequência enfileirada. Torna-se quase que um espetáculo.
O triste é esperar eternamente para que esse fato ocorra, mesmo sabendo que ele pode nunca vir a acontecer. É a fé na causa humana, a esperança de que um dia alguém mais convicto possa chegar e dizer-nos o que fazer de modo a mudar essa sociedade para melhor. O homem precisa de alguém mais experiente para lhe dizer o que fazer. É bizarro, mas é a pura verdade. Por mais que neguemos, é reconfortante a sensação de ter alguém nos guiando por um caminho que já percorreu - nos transmite segurança. Isso pode ser observado em grandes guerras e conflitos: Hitler alienando sua sociedade, Napoleão recrutando milhares de admiradores sem a utilização de força bruta, Antônio Conselheiro pregando seus pensamentos e formando uma legião de seguidores.
De nada adianta esperar esse Messias de forma cansada, preguiçosa e robotizada... parece que todos abaixo da política estão algemados por uma corrente de ferro invisível e não oferecem nenhuma resistência contra ela! De vez em quando uma revolta efêmera afeta seus vizinhos de cárcere, mas logo são sufocados pelos policiais da prisão. Fomos todos entorpecidos e domesticados pelos "grandes". Quando não, apenas lutamos para ter uma vida confortável como a deles mesmos, fechando as janelas para o caos constante fora de casa.
Não digo que todos são assim, nem que eu mesma não seja assim. Mas é o que se passa. Tudo no homem reflete a própria alma. Nosso corpo está cansado, nossos pulmões poluídos, nossos olhos só querem o repouso, nossa mente está a mil, e nossa alma, exausta. Caráter significa fazer o correto quando ninguém está olhando: nos resta fazer o que achamos ser o certo.
Relaxo
"...eu sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim.
Eu era uma soma de todos os erros: era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado pra viver. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada.
Um tipo de comportamento não se casava com o outro...
Pouco me importava."
Eu era uma soma de todos os erros: era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado pra viver. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada.
Um tipo de comportamento não se casava com o outro...
Pouco me importava."
A tabula vaza
Esses dias estava assistindo o clássico "Grand Hotel", estreado por Greta Garbo e um elenco inteiriço por estrelas da época. O filme se passa num Hotel luxuoso da Alemanha, no qual cruzam diversos clientes e hóspedes, tratando de reunir várias situações humanas interessantes e fazê-las se entrelaçar num espaço restrito de tempo. Um dos clientes do hotel, um médico, logo no início e no final do filme repete a frase "Pessoas vêm. Pessoas vão. Nada nunca acontece". Esse hotel, por ser um dos mais badalados do país, é muitíssimo agitado e com pessoas a todo o tempo correndo de um lado para o outro, o que contrasta a frase do médico logo no início do filme. Todos personagens possuem histórias peculiares, como por exemplo o Gergein, que é um barão completamente falido que, por conta disso, presta serviços roubando os grandes hotéis do país, particularmente pertences valiosos de seus hóspedes. Apesar dessa sua atitude, ao longo do filme percebe-se que ele é um homem bom e atencioso, e que a única razão para fazer isso é o dinheiro, pois sem esse não teria condições de sobreviver. No final do filme a palavra dinheiro repete-se tantas vezes num curto intervalo de tempo que vemos que esse é um dos assuntos principais da obra, apesar de estar muito implícito. O barão, após apaixonar-se por Greta, decide roubar um rico empresário e viajar com ela, porém é pego no flagra e "sem querer" o empresário roubado acaba por matá-lo aos socos. A notícia espalhou-se rapidamente pelo hotel, e ambos hóspedes e empregados ficaram tristes e chocados com o assassinato, já que o barão era uma pessoa muito querida, amável com todos, e um grande homem. O estranho dessa história é que quando você acha que seus amigos ficariam tristes e revoltados com a bárbarie, esses simplesmente resolvem ir para Paris, e na cena seguinte do choro já estão todos felizes com a viajem. Todos do hotel, antes abismados, agora continuam sua rotina irreconhecíveis à uns poucos minutos antes - no momento do júbilo - agora normais e conversando sobre assuntos quaisquer do dia-a-dia. O acontecimento passou quase que despercebido por todos, apesar de ser o ápice do filme.
É um filme muito simples, mas parece que essa mensagem de "Pessoas vêm. Pessoas vão. Nada nunca acontece" é meio que passada despercebida pelos telespectadores. Pelo que captei, quer dizer que por mais queridos e adorados que formos, quando tudo passar seremos esquecidos como um objeto é esquecido na rodoviária. Pessoas que passam por nossas vidas, amigos de infância, parentes falecidos, amigos que se mudam, paixões, até amores, depois de um tempo não significam quase nada. Você pode se encantar por alguém, porém uma hora ou outra nada passará de uma memória. O cheiro e as palavras ouvidas nunca mais serão as mesmas, é tudo muito passageiro. Essas boas sensações ao mesmo tempo que chegam, vívidas e avassaladoras, desfalecem com o tempo na velocidade da luz, deixando apenas lembranças, saudades, ou simplesmente nada. Aquele momentos, sim, pareciam inesquecíveis e verdadeiros, mas tornam-se apenas situações que fizeram parte de nossas vidas. Mas desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar, assim como um quarto de hotel logo é vago para que outro hóspede o ocupe. Esquecer também é uma necessidade do homem. A vida é Tabula Rasa, como afirma Locke: as pessoas nascem como uma folha em branco, uma metáfora para a vida. Não sabem absolutamente nada, não possuem sentimentos, não possuem idéia do que irá acontecer, não possuem conhecimento de nada. As experiências vão surgindo ao longo da vida, e essa tabula é preenchida de acordo com tais acontecimentos. Dependendo do que a pessoa viveu, ela terá diferentes impressões e visões do mundo, e certas experiências necessitam ser apagadas, ou simplesmente não cabem na tabula, caso o contrário ela irá transbordar. Às vezes sensações e pessoas devem ser esquecidas para outras tomarem o lugar, umas piores, outras ainda melhores do que as anteriores.
Se pararmos para pensar, a vida é um resumo de tragédias sentimentais [boas ou ruins] que aconteceram ao longo do tempo; sofrimentos ou alegrias passageiras que atingiram a pessoa ou foram repassadas, desencadeando o que chamamos de experiências. São ciclos: tentamos separar os momentos ruins e bons da vida, tentamos esquecer os insignificantes ou que nos deixaram uma marca mais forte de rancor ou decepção, para que coisas melhores ocupem nossas cabeças. Porém, esse é o mais difícil. O ser humano passa a vida inteira tentando não esquecer. Talvez esse seja um dos trabalhos mentais mais frequentes de nossas vidas: desde não esquecer o nome das pessoas que conhecemos, até o que comemos no dia anterior. Passamos a velhice relembrando os acontecimentos que nos marcaram, passamos o hoje a lembrar o nome da rua que desejamos chegar, o horário do médico no dia seguinte, as matérias da escola...
Por outro lado, ao mesmo tempo que tentamos não nos esquecer de certos fatos e nos lembrarmos de outros, tentamos ainda mais não sermos esquecidos. Um dos piores sentimentos, na minha opinião, é o de ser esquecida. Todos querem nascer e deixar uma marca imutável no mundo, algo que com o passar das gerações será lembrado. Um pensamento, um feito, uma parte de seu ser. Algo que exemplifica bem o que tento dizer é uma propaganda do Johnnie Walker, onde um robô fala que é 'melhor' que o homem por ser mais ágil, mais forte, mais resistente, enfim, por durar uma eternidade... porém que ele nos inveja por termos sentimentos e sensações. É uma ligação perfeita entre imortalidade e a obliteração. Diz que apesar de ser imortal, o homem também pode alcançar esse feito, basta fazer algo notável. Hoje em dia, acho isso uma utopia quase que inalcançável, parece que tudo de memorável já foi criado por seres humanos do passado. Nada mais é novo! Tudo parece que já foi descoberto, músicas boas já foram criadas, feitos grandiosos já foram eternizados... e que tudo a partir disso passa a ser uma cópia ou uma aperfeiçoação de uma idéia já criada. Apesar de frustrante, podemos ver o lado bom disso: atualmente as pessoas devem se esforçar mais, pesquisar mais arduamente para tentarem realizar esse feito de imortalização, e caso não consiga, pelo menos fez sua parte para tentar melhorar algo ou deixar uma marca boa... ou ruim.
Na pior das hipóteses, essas tentativas fizeram algum efeito em outras vidas, os momentos passam como uma brisa agradável para aqueles que puderam vivenciar. Pessoas nascem, seres renascem, as experiências amanhecem em novas cabeças e se põem ao anoitecer, para que o ciclo continue. Algumas linhas são apagadas para escrever um novo caso, a tabula vaza aos poucos...
Vale a pena:
http://www.youtube.com/watch?v=D57NTsAfhCY
É um filme muito simples, mas parece que essa mensagem de "Pessoas vêm. Pessoas vão. Nada nunca acontece" é meio que passada despercebida pelos telespectadores. Pelo que captei, quer dizer que por mais queridos e adorados que formos, quando tudo passar seremos esquecidos como um objeto é esquecido na rodoviária. Pessoas que passam por nossas vidas, amigos de infância, parentes falecidos, amigos que se mudam, paixões, até amores, depois de um tempo não significam quase nada. Você pode se encantar por alguém, porém uma hora ou outra nada passará de uma memória. O cheiro e as palavras ouvidas nunca mais serão as mesmas, é tudo muito passageiro. Essas boas sensações ao mesmo tempo que chegam, vívidas e avassaladoras, desfalecem com o tempo na velocidade da luz, deixando apenas lembranças, saudades, ou simplesmente nada. Aquele momentos, sim, pareciam inesquecíveis e verdadeiros, mas tornam-se apenas situações que fizeram parte de nossas vidas. Mas desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar, assim como um quarto de hotel logo é vago para que outro hóspede o ocupe. Esquecer também é uma necessidade do homem. A vida é Tabula Rasa, como afirma Locke: as pessoas nascem como uma folha em branco, uma metáfora para a vida. Não sabem absolutamente nada, não possuem sentimentos, não possuem idéia do que irá acontecer, não possuem conhecimento de nada. As experiências vão surgindo ao longo da vida, e essa tabula é preenchida de acordo com tais acontecimentos. Dependendo do que a pessoa viveu, ela terá diferentes impressões e visões do mundo, e certas experiências necessitam ser apagadas, ou simplesmente não cabem na tabula, caso o contrário ela irá transbordar. Às vezes sensações e pessoas devem ser esquecidas para outras tomarem o lugar, umas piores, outras ainda melhores do que as anteriores.
Se pararmos para pensar, a vida é um resumo de tragédias sentimentais [boas ou ruins] que aconteceram ao longo do tempo; sofrimentos ou alegrias passageiras que atingiram a pessoa ou foram repassadas, desencadeando o que chamamos de experiências. São ciclos: tentamos separar os momentos ruins e bons da vida, tentamos esquecer os insignificantes ou que nos deixaram uma marca mais forte de rancor ou decepção, para que coisas melhores ocupem nossas cabeças. Porém, esse é o mais difícil. O ser humano passa a vida inteira tentando não esquecer. Talvez esse seja um dos trabalhos mentais mais frequentes de nossas vidas: desde não esquecer o nome das pessoas que conhecemos, até o que comemos no dia anterior. Passamos a velhice relembrando os acontecimentos que nos marcaram, passamos o hoje a lembrar o nome da rua que desejamos chegar, o horário do médico no dia seguinte, as matérias da escola...
Por outro lado, ao mesmo tempo que tentamos não nos esquecer de certos fatos e nos lembrarmos de outros, tentamos ainda mais não sermos esquecidos. Um dos piores sentimentos, na minha opinião, é o de ser esquecida. Todos querem nascer e deixar uma marca imutável no mundo, algo que com o passar das gerações será lembrado. Um pensamento, um feito, uma parte de seu ser. Algo que exemplifica bem o que tento dizer é uma propaganda do Johnnie Walker, onde um robô fala que é 'melhor' que o homem por ser mais ágil, mais forte, mais resistente, enfim, por durar uma eternidade... porém que ele nos inveja por termos sentimentos e sensações. É uma ligação perfeita entre imortalidade e a obliteração. Diz que apesar de ser imortal, o homem também pode alcançar esse feito, basta fazer algo notável. Hoje em dia, acho isso uma utopia quase que inalcançável, parece que tudo de memorável já foi criado por seres humanos do passado. Nada mais é novo! Tudo parece que já foi descoberto, músicas boas já foram criadas, feitos grandiosos já foram eternizados... e que tudo a partir disso passa a ser uma cópia ou uma aperfeiçoação de uma idéia já criada. Apesar de frustrante, podemos ver o lado bom disso: atualmente as pessoas devem se esforçar mais, pesquisar mais arduamente para tentarem realizar esse feito de imortalização, e caso não consiga, pelo menos fez sua parte para tentar melhorar algo ou deixar uma marca boa... ou ruim.
Na pior das hipóteses, essas tentativas fizeram algum efeito em outras vidas, os momentos passam como uma brisa agradável para aqueles que puderam vivenciar. Pessoas nascem, seres renascem, as experiências amanhecem em novas cabeças e se põem ao anoitecer, para que o ciclo continue. Algumas linhas são apagadas para escrever um novo caso, a tabula vaza aos poucos...
Vale a pena:
http://www.youtube.com/watch?v=D57NTsAfhCY
Diálogo Bobo
- Abandonou-te?
- Pior ainda: esqueceu-me...
Mário Quitanda
- Abandonou-te?
- Pior ainda: esqueceu-me...
Mário Quitanda
quinta-feira
Meu último desejo
Mas meu último desejo
você não pode negar:
Se alguma pessoa amiga
pedir que você lhe diga
se você me quer ou não,
diga que você me adora.
Que você lamenta e chora
a nossa separação.
Às pessoas que eu detesto,
diga sempre que eu não presto
Que meu lar é o botequim,
que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
que você pagou pra mim.
Ultimo desejo - Noel Rosa
você não pode negar:
Se alguma pessoa amiga
pedir que você lhe diga
se você me quer ou não,
diga que você me adora.
Que você lamenta e chora
a nossa separação.
Às pessoas que eu detesto,
diga sempre que eu não presto
Que meu lar é o botequim,
que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
que você pagou pra mim.
Ultimo desejo - Noel Rosa
terça-feira
Anos e anos...
Qual a relação entre essas duas palavras: beleza e inteligência?
Por mais que neguemos, existe aquele certo preconceito ao vermos alguém belo - nunca associamos aquela menina maravilhosa a uma pessoa culta e inteligente.
Não há dúvida que a inteligência dure muito mais que a beleza física. E talvez isso explique o fato de nos esforçarmos tanto para cultivar nossos corpos, nossos rostos de 20 e poucos anos. Nessa luta insistente pela existência, queremos possuir algo de duradouro, entulhando nossas mentes de inutilidades e fatos, na esperança absurda de conservar o nosso lugar. A maioria opta pela conservação do corpo, já que trabalhar a mente (por incrível que pareça) é muito mais cansativo e difícil do que conservar a aparência física. E junto com essa escolha, junta-se aquele enorme pacote de superficialidades: jornais da tarde, novidades no mundo das celebridades, fofocas e intrigas sobre os amigos, conhecidos, família... é absolutamente inexplicável como alguns seres humanos têm a capacidade de guardar certas inutilidades com tanta facilidade, e uma capacidade maior ainda de espalhá-las. Essas pessoas podem ser as mais divertidas que você conhecerá em toda sua vida, mas ainda assim há de chegar aquele dia em que, ao olhar para ela, por mais conservada e informada que lhe pareça, acabará por notar as idéias já não acompanham as suas... você será o primeiro a cansar-se.
Conquanto, ainda há uma relação paralela entre o pensamento e a aparência física. É, é triste, mas toda vez que nos sentamos para pensar, rimos ou choramos, estamos deixando marcas irrecuperáveis em nossos rostos: ficamos todos olhos, todos testa, todos franzidos. Apesar disso, creio que no meio desse mundo plástico essa é a verdadeira beleza. Quando vemos aqueles velhinhos bondosos passando pela rua, sorridentes e felizes por terem o espírito e a força de vontade de aguentarem essa grande corrida que é a vida. Não pensamos nessas marcas como o peso da idade e da responsabilidade em seus ombros, mas sim como nos mostram o quanto viveram, dos seus momentos de luta, das dificuldades, das decepções que sofreram - assim como todos nós ainda iremos passar.
Admiramos o sábio pelo que ele foi e pelo que ele é.
"Somente os que verdadeiramente pensam possuem expressões fortes na face. Veja esses homens inteligentes e que venceram intelectualmente: Einstein, Bill Gates, Maquiavel, Beethoven... são completamente hediondos! Exceto, evidentemente, os padres e bispos."
Por mais que neguemos, existe aquele certo preconceito ao vermos alguém belo - nunca associamos aquela menina maravilhosa a uma pessoa culta e inteligente.
Não há dúvida que a inteligência dure muito mais que a beleza física. E talvez isso explique o fato de nos esforçarmos tanto para cultivar nossos corpos, nossos rostos de 20 e poucos anos. Nessa luta insistente pela existência, queremos possuir algo de duradouro, entulhando nossas mentes de inutilidades e fatos, na esperança absurda de conservar o nosso lugar. A maioria opta pela conservação do corpo, já que trabalhar a mente (por incrível que pareça) é muito mais cansativo e difícil do que conservar a aparência física. E junto com essa escolha, junta-se aquele enorme pacote de superficialidades: jornais da tarde, novidades no mundo das celebridades, fofocas e intrigas sobre os amigos, conhecidos, família... é absolutamente inexplicável como alguns seres humanos têm a capacidade de guardar certas inutilidades com tanta facilidade, e uma capacidade maior ainda de espalhá-las. Essas pessoas podem ser as mais divertidas que você conhecerá em toda sua vida, mas ainda assim há de chegar aquele dia em que, ao olhar para ela, por mais conservada e informada que lhe pareça, acabará por notar as idéias já não acompanham as suas... você será o primeiro a cansar-se.
Conquanto, ainda há uma relação paralela entre o pensamento e a aparência física. É, é triste, mas toda vez que nos sentamos para pensar, rimos ou choramos, estamos deixando marcas irrecuperáveis em nossos rostos: ficamos todos olhos, todos testa, todos franzidos. Apesar disso, creio que no meio desse mundo plástico essa é a verdadeira beleza. Quando vemos aqueles velhinhos bondosos passando pela rua, sorridentes e felizes por terem o espírito e a força de vontade de aguentarem essa grande corrida que é a vida. Não pensamos nessas marcas como o peso da idade e da responsabilidade em seus ombros, mas sim como nos mostram o quanto viveram, dos seus momentos de luta, das dificuldades, das decepções que sofreram - assim como todos nós ainda iremos passar.
Admiramos o sábio pelo que ele foi e pelo que ele é.
"Somente os que verdadeiramente pensam possuem expressões fortes na face. Veja esses homens inteligentes e que venceram intelectualmente: Einstein, Bill Gates, Maquiavel, Beethoven... são completamente hediondos! Exceto, evidentemente, os padres e bispos."
segunda-feira
O universo tende ao caos
Caos, segundo Hesíodo, poeta da Grécia Antiga, foi o deus primordial da mitologia grega a surgir no universo. Tinha um temperamento muito confuso, de difícil entendimento, pois constantemente mudava de opinião, incorporando essa idéia de cambulha e desordem a todos seus atos. Também do grego, caos significa corte, rachadura, vasto abismo.
Daí então a famosa Teoria do Caos, que segue a premissa de que um pequeno acontecimento, inicialmente sem nenhum significado vasto, poderia futuramente gerar consequências estrondosas. Claro que essa teoria tem muito mais um caráter físico do que social, mas passamos a ver o segundo ponto de vista.
A vida em geral tende ao caos: o trânsito, o tempo, o mercado de ações, o governo, a sociedade, a família... todos esses acontecimentos e formas de organização humana são aleatórios e imprevisíveis, sendo impossível que um estudo mais profundo forme uma teoria universal e precisa. Por exemplo, imagine que, no passado, você estivesse em dúvida entre duas faculdades e acabou optando pela mais fácil de entrar. O seu dia-a-dia, então, será muito diferente comparado ao que seria caso tivesse optado pela outra: seus amigos serão outros, seu caminho para a universidade será diferente, seu emprego, seu cônjuge, seus filhos e seus netos poderão ser outros... enfim, um futuro completamente distinto. Aquela pessoa que você esbarrou na rua certa vez talvez, se tivesse escolhido a primeira faculdade, poderia vir a ser seu marido ou esposa. Aquele assalto que ocorreu quando você decidiu pegar o metrô ao invés do ônibus não iria acontecer... por fim, o decorrer de sua vida mudou completamente por conta dessa escolha! Parece assustador, mas é só parar e observar os fenômenos mais triviais da vida para notar que essa idéia faz todo o sentido. É tudo muito imprevisível, e você nunca saberá o que poderia ter acontecido caso optasse pelo outro caminho.
Esse mesmo fenômeno ocorre também na natureza, e até mesmo em nossas atitudes. A arrumação do seu quarto tende a ser caótica, sendo que o único impedimento para que isso não ocorra é uma força não-natural, no caso, sua mãe mandando você arrumá-lo todos os dias. Estar vivo é uma luta eterna contra o caos, é algo que necessita de muita energia. Tudo que tende ao caótico não requer quase energia a ser gasta. Para deixar seu quarto desarrumado, não há necessidade desse gasto energético.
Apesar de tudo isso, não quer dizer que não exista ordem no universo. Nada é mais sincero do que a expressão de uma criança ao ver uma borboleta pela primeira vez. E o motivo? Essa nova experiência e harmonia que propicia. Ao deparar-se com a natureza, nada lhe parece ter mais ordem; tudo parece seguir seu curso de forma até que previsível. Mas antes de tudo, a própria vida surgiu dessa desordem, e aí que está: nós seres vivos tiramos a ordem do caos para nos mantermos vivos, ou seja, ordenados, e com isso provocamos mais caos.
O grande problema é que o homem acha que possui controle sobre essa tal desordem, sendo que na verdade não temos a menor influência sobre isso. O caos é o estado natural do ser humano e inerente à vida, ao contrário do gradiente da ordem. Ainda assim, ambos andam juntos, são forças opostas que se completam.
Qualquer detalhe pode causar imensas consequências num espaço de tempo, e isso pode ser facilmente aplicado na vida de maneira geral. Vejamos a vida então como o clichê da grande bicicleta: para nos manter em equilíbrio, devemos pedalar na tentativa de nos organizar no meio do caos, caso o contrário cairemos.
Aaah, e como essa queda vai doer.
Daí então a famosa Teoria do Caos, que segue a premissa de que um pequeno acontecimento, inicialmente sem nenhum significado vasto, poderia futuramente gerar consequências estrondosas. Claro que essa teoria tem muito mais um caráter físico do que social, mas passamos a ver o segundo ponto de vista.
A vida em geral tende ao caos: o trânsito, o tempo, o mercado de ações, o governo, a sociedade, a família... todos esses acontecimentos e formas de organização humana são aleatórios e imprevisíveis, sendo impossível que um estudo mais profundo forme uma teoria universal e precisa. Por exemplo, imagine que, no passado, você estivesse em dúvida entre duas faculdades e acabou optando pela mais fácil de entrar. O seu dia-a-dia, então, será muito diferente comparado ao que seria caso tivesse optado pela outra: seus amigos serão outros, seu caminho para a universidade será diferente, seu emprego, seu cônjuge, seus filhos e seus netos poderão ser outros... enfim, um futuro completamente distinto. Aquela pessoa que você esbarrou na rua certa vez talvez, se tivesse escolhido a primeira faculdade, poderia vir a ser seu marido ou esposa. Aquele assalto que ocorreu quando você decidiu pegar o metrô ao invés do ônibus não iria acontecer... por fim, o decorrer de sua vida mudou completamente por conta dessa escolha! Parece assustador, mas é só parar e observar os fenômenos mais triviais da vida para notar que essa idéia faz todo o sentido. É tudo muito imprevisível, e você nunca saberá o que poderia ter acontecido caso optasse pelo outro caminho.
Esse mesmo fenômeno ocorre também na natureza, e até mesmo em nossas atitudes. A arrumação do seu quarto tende a ser caótica, sendo que o único impedimento para que isso não ocorra é uma força não-natural, no caso, sua mãe mandando você arrumá-lo todos os dias. Estar vivo é uma luta eterna contra o caos, é algo que necessita de muita energia. Tudo que tende ao caótico não requer quase energia a ser gasta. Para deixar seu quarto desarrumado, não há necessidade desse gasto energético.
Apesar de tudo isso, não quer dizer que não exista ordem no universo. Nada é mais sincero do que a expressão de uma criança ao ver uma borboleta pela primeira vez. E o motivo? Essa nova experiência e harmonia que propicia. Ao deparar-se com a natureza, nada lhe parece ter mais ordem; tudo parece seguir seu curso de forma até que previsível. Mas antes de tudo, a própria vida surgiu dessa desordem, e aí que está: nós seres vivos tiramos a ordem do caos para nos mantermos vivos, ou seja, ordenados, e com isso provocamos mais caos.
O grande problema é que o homem acha que possui controle sobre essa tal desordem, sendo que na verdade não temos a menor influência sobre isso. O caos é o estado natural do ser humano e inerente à vida, ao contrário do gradiente da ordem. Ainda assim, ambos andam juntos, são forças opostas que se completam.
Qualquer detalhe pode causar imensas consequências num espaço de tempo, e isso pode ser facilmente aplicado na vida de maneira geral. Vejamos a vida então como o clichê da grande bicicleta: para nos manter em equilíbrio, devemos pedalar na tentativa de nos organizar no meio do caos, caso o contrário cairemos.
Aaah, e como essa queda vai doer.
domingo
Sonhadora?
"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso"
Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
"Navegar é preciso; viver não é preciso"
Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça."
"Navigare necesse; vivere non est necesse" - frase de Pompeu Magnus, general romano e rival de Júlio César. Dizia aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra.
Explicação do título do blog. Por enquanto vivo, ganhando o máximo de experiência para que um dia possa navegar e repassar o que aprendi. Mudando a nós mesmos, damos o exemplo: mudamos o mundo como um todo, porque, com certeza, a nossa própria mudança (por mais ínfima que pareça) já interferiu em algo.
O dom da palavra
É estranho como uma palavra, uma frase, podem mudar o jeito que vemos o mundo. Afeta nossos pensamentos, nossas idéias. Como aquelas vezes, quando você conhece uma pessoa a meses, contudo a amizade não o modifica em nada. Todos aqueles livros, tudo que ouvimos se evapora com o tempo e desaparece. E, logo assim, de súbito, depara-se com alguém que parece ter-lhe desvendado o mistério da vida. Por conta de palavras, simples palavras! E como são nítidas e vívidas... às vezes, são coisas tão óbvias que nos deixa intrigados de como não pensamos naquilo antes. Somente uma pequena lição que nos dá aquele click e que acabamos levando conosco por toda a vida. É perturbador! É uma sensação tanto de desconforto como de alívio. Como se tudo ficasse mais claro - aquelas dúvidas que pareciam não ter resposta agora foram respondidas, assim, do nada.
A música é algo que também me perturba desse mesmo modo. Aquela música que me faz sentir uma euforia interna, inexplicável; que me faz pensar na vida; aquela que muitas vezes havia me emocionado.
A contradição nisso tudo é que, se nos emocionamos com algo ou nos identificamos com essas estranhas palavras, quer dizer que o tempo todo estavam dentro de nós; influências inteiramente novas, que vieram de fora, e que, porém, apenas vibraram uma corda que esteve o tempo todo dentro de cada um. Isso é o auto-conhecimento. É a sensação de que influências externas estão abrindo um novo mundo, um novo caos interno. Ao mesmo tempo que tudo parece ser mais nítido, novas perguntas surgem, novas dúvidas desconfortantes aparecem.
Somos eternos escravos desse ciclo vicioso, esse fractal inacabável. E sim, nunca teremos todas as respostas para nossas dúvidas... por mais palavras estranhas que entrarem por nosso ouvidos.
O bater dessas asas, provocará eternamente um furacão em nossos pensamentos.
A música é algo que também me perturba desse mesmo modo. Aquela música que me faz sentir uma euforia interna, inexplicável; que me faz pensar na vida; aquela que muitas vezes havia me emocionado.
A contradição nisso tudo é que, se nos emocionamos com algo ou nos identificamos com essas estranhas palavras, quer dizer que o tempo todo estavam dentro de nós; influências inteiramente novas, que vieram de fora, e que, porém, apenas vibraram uma corda que esteve o tempo todo dentro de cada um. Isso é o auto-conhecimento. É a sensação de que influências externas estão abrindo um novo mundo, um novo caos interno. Ao mesmo tempo que tudo parece ser mais nítido, novas perguntas surgem, novas dúvidas desconfortantes aparecem.
Somos eternos escravos desse ciclo vicioso, esse fractal inacabável. E sim, nunca teremos todas as respostas para nossas dúvidas... por mais palavras estranhas que entrarem por nosso ouvidos.
O bater dessas asas, provocará eternamente um furacão em nossos pensamentos.
sábado
É talvez o último dia da minha vida
É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
Alberto Caeiro
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
Alberto Caeiro
Teoria do Covarde - Para José Geraldo
Essa teoria é uma vertente do Dilema do Prisioneiro, onde 2 jogadores enfrentam um dilema, sendo que de acordo com a decisão pessoal de cada um deles, os dois terão consequências diferentes. Suponha que dois motoristas estão dirigindo um em direção ao outro, prestes a colidir. As opções possíveis são desviar ou seguir para colisão. O motorista que desviar, será o covarde e perde a aposta, enquanto o que continuou o trajeto será o corajoso e consequente vencedor . Entretanto, um deles deve desviar, ou ambos morrerão com a batida; se os dois desviarem, serão ambos covardes. O problema é que um não sabe qual será o movimento do outro, e o jogador que se mostrar mais convincente e impassível provavelmente ganhará o jogo. Então, qual seria a melhor estratégia?
Essa teoria pode ser vista na prática em muitas empresas, mas também podemos observá-la comportamentalmente no nosso dia-a-dia. É uma questão atual, como no caso dos testes nucleares da Coréia do Norte: até a atual mudança de presidentes nos EUA, o líder norte-coreano Kim Jong-il nunca ousou sequer testar uma bomba no Pacífico - e qual o motivo? O Bush filho, tão louco quanto Jong-il, mostrava-se uma ameaça maior para o coreano, caso este decidisse por tentar tal ato. Foi considerado por Bush um dos países compreendidos no "eixo do mal". Ou seja, ambos estavam numa trajetória prestes a colisão, porém resolveram optar pela alternativa do desvio. Agora, com a atual presidência de Barack Obama, Jong-il sentiu uma ameaça menor, até porque o presidente norte-americano mostra-se totalmente pacífico contra ataques nucleares. O norte-coreano eliminou todos os riscos que, no mandato anterior ao de Obama, poderia vir a ser uma bravata contra seu país. É reconhecido internacionalmente como sendo o chefe de estado mais totalitário da atualidade, fazendo o Japão, a Inglaterra e os Estados Unidos dançarem de acordo com sua música. A Coréia do Norte está utilizando a sua maior arma de defesa: a habilidade política de seu "querido líder", extremamente astuto e convincente, fazendo com que os outros países desviem da trajetória antes que este desvie.
Hoje, eu vejo essa estratégia sendo usada por muitas, mas muitas pessoas que conheço. "Chefes de família" que se utilizam da coação para conseguirem o que querem, jogando o carro para cima de pessoas que nada têm a ver com assunto ou entregando o volante para outras que ainda nem sequer tiraram a carteira de habilitação. Esses sim, são os verdadeiros covardes. Abusam do poder por possuírem tal posição privilegiada e sustentam-se nesse patamar através da incerteza e do medo dos menos influentes.
Daí vem a maldade derivada dessa pujança forçada: impedir que alguém efetue sua potência. A potência de possuir a liberdade de escolher seus próprios caminhos e poder regozijar-se por ter chegado onde está.
Cabe a essas pessoas o mínimo de pensamento moral em saber até que ponto a conquista do poder pode ser um atributo - ela pode ruir tudo que foi construído durante toda uma vida.
"Covarde não é aquele que evita um combate, covarde é aquele que mesmo sabendo que é superior, luta e fere o mais fraco."
Essa teoria pode ser vista na prática em muitas empresas, mas também podemos observá-la comportamentalmente no nosso dia-a-dia. É uma questão atual, como no caso dos testes nucleares da Coréia do Norte: até a atual mudança de presidentes nos EUA, o líder norte-coreano Kim Jong-il nunca ousou sequer testar uma bomba no Pacífico - e qual o motivo? O Bush filho, tão louco quanto Jong-il, mostrava-se uma ameaça maior para o coreano, caso este decidisse por tentar tal ato. Foi considerado por Bush um dos países compreendidos no "eixo do mal". Ou seja, ambos estavam numa trajetória prestes a colisão, porém resolveram optar pela alternativa do desvio. Agora, com a atual presidência de Barack Obama, Jong-il sentiu uma ameaça menor, até porque o presidente norte-americano mostra-se totalmente pacífico contra ataques nucleares. O norte-coreano eliminou todos os riscos que, no mandato anterior ao de Obama, poderia vir a ser uma bravata contra seu país. É reconhecido internacionalmente como sendo o chefe de estado mais totalitário da atualidade, fazendo o Japão, a Inglaterra e os Estados Unidos dançarem de acordo com sua música. A Coréia do Norte está utilizando a sua maior arma de defesa: a habilidade política de seu "querido líder", extremamente astuto e convincente, fazendo com que os outros países desviem da trajetória antes que este desvie.
Hoje, eu vejo essa estratégia sendo usada por muitas, mas muitas pessoas que conheço. "Chefes de família" que se utilizam da coação para conseguirem o que querem, jogando o carro para cima de pessoas que nada têm a ver com assunto ou entregando o volante para outras que ainda nem sequer tiraram a carteira de habilitação. Esses sim, são os verdadeiros covardes. Abusam do poder por possuírem tal posição privilegiada e sustentam-se nesse patamar através da incerteza e do medo dos menos influentes.
Daí vem a maldade derivada dessa pujança forçada: impedir que alguém efetue sua potência. A potência de possuir a liberdade de escolher seus próprios caminhos e poder regozijar-se por ter chegado onde está.
Cabe a essas pessoas o mínimo de pensamento moral em saber até que ponto a conquista do poder pode ser um atributo - ela pode ruir tudo que foi construído durante toda uma vida.
"Covarde não é aquele que evita um combate, covarde é aquele que mesmo sabendo que é superior, luta e fere o mais fraco."
sexta-feira
São Mateus e o Anjo

Um dos meus quadros preferidos, por Caravaggio.
A pintura expressa o momento em que um anjo guia São Mateus na escritura do Envangelho, vocação confeccionada por Cristo. Primeiramente havia pintado um São Mateus apresentado como um camponês qualquer, mas como o alto clero que havia demandado o quadro, foi rejeitado. Depois disso, Caravaggio limitou-se à orientação do seu cliente, a Igreja, abandonando sua primeira versão onde pretendia popularizar a aristocracia. Esse foi o resultado, apesar de limitado devido às circunstâncias da época, ficou extraordinário!
Ó dilema...!
Como você sabe que aquilo que chama de amarelo é o mesmo que todos chamam de amarelo? Que as sensações físicas que sente são iguais as das outras pessoas? Desde que idade descobriu que aquela queimação no estômago é mesmo a azia que tanto se fala nas propagandas? A questão é: como saber se você está dentro do padrão universal, ou seja, como saber se é considerado normal?
Quer dizer, é possível que alguém veja o azul no tom vermelho, mas conheça o tom vermelho pelo nome azul, já que foi condicionado desde pequeno a chamar isso de azul.
Pegue, por exemplo, a história de John Nash, gênio da matemática e criador da famosa Teoria dos Jogos. Ele passou boa parte de sua vida acreditando numa realidade totalmente diferente da realidade das pessoas ao seu redor, enxergando situações e indivíduos que nunca existiram. O que era normal para Nash só passou a ser percebido como uma doença depois de muitos anos, quando os sintomas de sua esquizofrenia se tornaram evidentes para os outros. Para elas, a realidade de Nash era algo totalmente kafkiano: teorias da conspiração, alucinações, paranoias e visões distorcidas da realidade. O mais curioso é que esses pensamentos foram induzidas por seu próprio cérebro... ou não. E se a realidade de Nash for a "certa"? E se apenas essas poucas pessoas, consideradas delirantes, são as privilegiadas que enxergam a verdadeira realidade - e nós, os supostos "normais", temos uma visão distorcida do mundo? Muitas das pessoas consideradas insanas são aquelas mais inteligentes e brilhantes, as que tiram as melhores notas... e essas mesmas foram as mais martirizadas na sua época, sepultadas por uma sociedade que acredita[va] que o certo é fechar os olhos e seguir pensando como todo resto o rebanho.
É estranho pensar que cada cérebro tem seus limites e entraves, que cada pessoa vê o mundo de uma forma única e exclusiva. O meu verde nunca será o mesmo verde do meu vizinho. E por isso tentamos expressar por A+B que o meu verde é mais real que o do próximo, que é mais verdadeiro. Por isso tentamos convencer o outro de nossos pensamentos e tentamos induzí-los a acreditar naquilo o que vejo, não naquilo que ele vê. Precisamos mostrar às pessoas nossos pontos de vistas, trocar experiências.
E é isso que nos diferencia de um macaco: rimos e choramos, porque somos o único animal que se impressiona com a diferença que há entre o que é e o que deveria ser.
Quer dizer, é possível que alguém veja o azul no tom vermelho, mas conheça o tom vermelho pelo nome azul, já que foi condicionado desde pequeno a chamar isso de azul.
Pegue, por exemplo, a história de John Nash, gênio da matemática e criador da famosa Teoria dos Jogos. Ele passou boa parte de sua vida acreditando numa realidade totalmente diferente da realidade das pessoas ao seu redor, enxergando situações e indivíduos que nunca existiram. O que era normal para Nash só passou a ser percebido como uma doença depois de muitos anos, quando os sintomas de sua esquizofrenia se tornaram evidentes para os outros. Para elas, a realidade de Nash era algo totalmente kafkiano: teorias da conspiração, alucinações, paranoias e visões distorcidas da realidade. O mais curioso é que esses pensamentos foram induzidas por seu próprio cérebro... ou não. E se a realidade de Nash for a "certa"? E se apenas essas poucas pessoas, consideradas delirantes, são as privilegiadas que enxergam a verdadeira realidade - e nós, os supostos "normais", temos uma visão distorcida do mundo? Muitas das pessoas consideradas insanas são aquelas mais inteligentes e brilhantes, as que tiram as melhores notas... e essas mesmas foram as mais martirizadas na sua época, sepultadas por uma sociedade que acredita[va] que o certo é fechar os olhos e seguir pensando como todo resto o rebanho.
É estranho pensar que cada cérebro tem seus limites e entraves, que cada pessoa vê o mundo de uma forma única e exclusiva. O meu verde nunca será o mesmo verde do meu vizinho. E por isso tentamos expressar por A+B que o meu verde é mais real que o do próximo, que é mais verdadeiro. Por isso tentamos convencer o outro de nossos pensamentos e tentamos induzí-los a acreditar naquilo o que vejo, não naquilo que ele vê. Precisamos mostrar às pessoas nossos pontos de vistas, trocar experiências.
E é isso que nos diferencia de um macaco: rimos e choramos, porque somos o único animal que se impressiona com a diferença que há entre o que é e o que deveria ser.
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