quarta-feira

Amigo é coisa...

Tudo pode começar com um simples vento passando pela vidraça da janela numa sala de aula. Esse vento sopra uma caneta em cima de sua mesa, que gira e logo cai no chão. Uma pessoa pega caneta e a devolve no lugar onde estava, olhando para o ser desastrado que a derrubou - retribui com um sorriso. Assim, começam a conversar, e o mesmo ocorre nos duzentos e poucos dias de aula seguintes. É, meus caros, um simples acaso da vida cotidiana fez nascer um laço entre essas duas pessoas, essa tal de amizade.

É difícil descrever o que é um amigo, e qual a diferença deles comparados aos colegas e aos conhecidos. Mas você simplesmente sente, você sabe quem são seus verdadeiros.
São essas pessoas que nos permitem explicitar todos nossos defeitos e virtudes, e mesmo sabendo de nossas piores histórias e comportamentos, ainda assim nos recebem com aquele abraço caloroso, ou aquele puxão de orelha sincero. Aguenta nossos lamentos, escuta nossos desejos inalcançáveis, presencia aquele erro que cometemos milhões de vezes e sabem, apesar de fingir muito bem, que ainda iremos cometê-los mais meio milhão de vezes.

Alguns podem até ser egoístas, mas não agem desse modo ao compartilhar as experiências e o que aprenderam ao longo da vida. Alguns podem mentir às vezes, mas nunca deixarão de falar algo que é verdade, por mais que as palavras possam te magoar. E esses seres são poucos. Não importa que sejam 10 ou somente um; sinta-se feliz por possuí-lo - ao menos saberá que existe alguém realmente se importa.

É como se não existisse preconceito nem julgamentos: não hesitamos contar algo constrangedor, quase que podemos pensar em voz alta. É aquele que a cada momento de convívio nos enriquece e aperfeiçoa, mas não pelo que ele entrega, e sim pelo que nos revela de nós mesmos. Sim, sim... com os amigos acabamos nos entendendo melhor, vemos do que somos capazes de fazer e de alcançar, conhecemos melhor nossos limites. Enxergamos nele nossos defeitos e nos irritamos com isso. É que é difícil admitir que existe alguém com o pensamento tão igual ao nosso, com o mesmo jeito e temperamento... achamos que somos exclusivos nesse quesito. Demora para nos acostumarmos com essa sensação estranha de um espelho humano, mas quando acomodamos nossa vista e paramos um pouco de pensar, apenas sentimos. Sentimos que não o conhecemos, e sim o reconhecemos, por mais diferentes ou parecidos vocês forem.

Quem ainda não sentiu isso, espero que sinta algum dia. Não consigo imaginar como seria minha vida sem eles, são as peças que faltam no meu quebra-cabeça, a compreensão para o meu cansaço e o repouso para minha agitação.

É aquele amor que nunca morre.


Nenhum comentário: